terça-feira, 14 de novembro de 2017

Leituras de janeiro


Há um ano atrás, quando começamos nosso primeiro clube do livro, não podíamos imaginar os rumos que seguiríamos após tão pouco tempo transcorrido. Agora, não só prosseguimos com o trabalho n'A casa de Penélope, como também, atendendo aos pedidos das associadas, criamos o Clubinho Literário, voltado para crianças entre 6 e 10 anos. Como é bom crescer!

Mas, para quem está chegando agora, aqui vai um resumo das nossas propostas:

A casa de Penélope
Este é um clube de literatura nascido do meu desejo de partilhar um pouco do caminho que vinha trilhando solitariamente. Em resposta ao desafio de um sacerdote, esforcei-me por encontrar tempo para investir em meu aprimoramento pessoal, buscando por títulos que me auxiliassem a melhor compreender e desempenhar minhas diferentes funções enquanto esposa, mãe, etc. Assim, A casa de Penélope é um clube voltado exclusivamente para mulheres, com carga anual de seis obras, selecionadas de acordo com o tema do ano, e cada uma delas trabalhada ao longo de dois meses. O próximo tema, a ser trabalhado em 2018, é a maternidade, de modo que leremos obras que, de algum modo, nos dão ocasião de vislumbrar os melhores e piores modelos, para que nos inspiremos nos primeiros e nos curemos dos segundos. Além dos livros, há amplo material de apoio (guia de leitura, newsletters) e ainda espaços para discussão e interação (grupo fechado e hangouts) entre as associadas.

Clubinho Literário
Já o Clubinho, como disse acima, é uma resposta ao pedido de algumas mães participantes d'A casa de Penélope que, vendo os benefícios que as leituras proporcionavam às suas vidas, desejavam algo que trouxesse semelhantes benefícios aos seus filhos. A dinâmica do Clubinho é um pouco diferente, no entanto: selecionamos doze obras, uma para cada mês do ano, privilegiando títulos edificantes e virtuosos. O critério para esta seleção foi, basicamente, o seguinte: primeiro, não escolher obras que meus próprios filhos não tivessem apreciado; segundo, dentre as obras prediletas deles, priorizar aquelas que oferecessem ferramentas para educação da linguagem, educação do imaginário e educação moral. Ou seja, não basta que o livro seja divertido, mas é necessário que ele expanda o vocabulário infantil, sua imaginação e, sobretudo, seu conhecimento das virtudes humanas. Além dos livros, também produzimos material de apoio (guia de leitura e newsletter) e a possibilidade de contato virtual entre os participantes (por meio do e-mail dos pais).

Se você tem interesse em qualquer uma de nossas propostas, clique nos links, informe-se e venha crescer conosco. O prazo para participação em janeiro de 2018 encerra dia 27 deste mês de novembro!


sexta-feira, 27 de outubro de 2017

O primeiro encontro d'A casa de Penélope

Um grande evento nunca começa na data prevista, mas muito antes. Contássemos a partir do dia em que surge a idéia, às vezes muitos anos são passados até a sua realização. Este, contudo, não é exatamente o nosso caso. O primeiro encontro presencial d'A casa de Penélope foi preparado ao longo de um ano, o primeiro ano de existência do próprio clube. Mas não foi nada difícil. Pelo contrário: tudo pareceu fluir maravilhosamente bem, desde a escolha do local, o acerto dos detalhes, a realização do evento em si até a despedida. E é sobre tudo isso que eu desejo falar agora.

Primeiro, o local. Como não mencionar a querida Pousada Aldeia dos Sonhos, que faz jus ao nome que carrega? Ricardo e João, os proprietários, são a gentileza e o zelo em forma humana: não só ofereceram excelentes ambientes e acomodações como ainda contribuíram sugerindo boas idéias para facilitar a dinâmica e integração do grupo. Isso para não mencionar o famoso (e delicioso) café da manhã, que nos transporta de volta para a cozinha e o colo de nossas prendadas avós. Enfim, nem eu, nem as Penélopes tivemos o quê reclamar do lugar onde realizamos nosso primeiro encontro, e, ao que tudo indica, repetiremos a dose em outubro do ano que vem.

Depois, o sábado pela manhã, o primeiro encontro do encontro. Este foi o momento do primeiro contato pessoal com a maioria das Penélopes: que alegria poder encontrá-las assim, cara a cara, depois de tantos e-mails, chats e hangouts, e poder abraçá-las! Foram instantes de alegria e emoção. Interessante notar que apesar de todas as novidades, em nenhum momento percebi aquele desconforto habitual que ocorre nas reuniões de pessoas desconhecidas, mas, apesar da incipiente familiaridade, um clima acolhedor e fraterno parecia pairar sobre nós. Em seguida Gustavo tomou a palavra e nos ofereceu uma pequena palestra sobre alguns personagens masculinos das obras que lemos até o momento (Petruchio, Charles Bovary e Admeto), acrescentando ainda algumas considerações sobre Ulisses, o marido de Penélope, da Odisséia, personagem que inspirou o nome do clube. Foi ocasião para refrescar a memória, enfatizar questões importantes sobre os papéis dos cônjuges e também integrar um pouco mais os maridos presentes no grupo.

Ao meio-dia corremos para um restaurantezinho de comida boa, bonita e barata no centro de Canela e tivemos diversos momentos de bate-papo descontraído.

À tarde, depois de algumas horinhas livres, voltamos à aconchegante sala de reuniões e ouvimos, com muito prazer e durante mais de uma hora, o prof. Rafael Falcón falando sobre literatura para crianças, alfabetização e educação. Mesmo as Penélopes que ainda não são mães saíram extremamente enriquecidas, pois ouvir o prof. Rafael foi uma daquelas preciosas oportunidades para avaliar nossa própria educação e buscar corrigir os erros e falhas da formação, além, obviamente, das muitas indicações para a educação das crianças. Mas a conversa não parou na palestra: fomos ao (delicioso) coffee break e prosseguimos quase até ao anoitecer conversando e convivendo muito. Que momentos! Nada de conversas miúdas, pueris e "para socializar": todos falando com o coração nas mãos, remindo o tempo, aproveitando a raridade que é o ter interlocutores sinceros e interessados naquilo que realmente importa e é digno de nota durante nossa curta vida.

Convém mencionar que algumas Penélopes vieram com maridos e filhos, de modo que as crianças brincaram tranquilas durante todo o tempo na casa que elas batizaram de "casinha da Laura" (em referência à Laura Ingalls Wilder, pois a casa era toda de madeira e repleta de objetos e utensílios antigos). Ou seja, toda a família pôde aproveitar sossegadamente.

No domingo pela manhã fomos à igreja e, depois, tomamos, todos juntos, o café da manhã na Pousada. Foi o momento da "DR" do clube, onde pedi às meninas que criticassem nosso trabalho e nos ajudassem a melhorar. Não minto ao dizer que elas nada tiveram a reclamar, mas, na verdade, revelaram que o clube superou todas as expectativas. Recebi minha medalha imaginária nessa hora! Hahahaha Levantamos da mesa (finalmente!) e fomos tirar fotos e continuar a conversa na recepção da Pousada. Parecia que ninguém queria ir embora, pois emendávamos um assunto no outro, orbitando sempre, porém, sobre as questões de família, fé e educação. Foi um tempo totalmente espontâneo de compartilhamento de vida, de experiências e de mútua edificação. Daí em diante algumas já retornaram às suas cidades. À tarde passeamos, com aquelas que ainda ficaram mais um pouco, no Castelinho Caracol e tivemos algumas boas horas juntos.

Por fim, voltamos para casa, eu e minha família, ao fim da tarde, completamente mortos de cansaço (eu e Gustavo, no caso), mas muito gratos a Deus por esse tempo de crescimento compartilhado, comovidos com as tantas demonstrações de carinho que recebemos (quantos presentes lindos!) e felizes pelos vínculos criados e estreitados neste final de semana que passou voando.

Tenho plena ciência de que minhas palavras não fazem justiça ao primeiro encontro. Mais adequado seria se as próprias Penélopes dissessem o que acharam. De todo modo, porém, fica aqui o registro desse momento especial que encerra o primeiro ano de atividades d'A casa de Penélope, e fica também o convite para que você venha participar conosco, presencial ou virtualmente, no próximo.

As inscrições para participar das leituras de 2018 já estão abertas. Confira aqui. Não perca tempo (nem o prazo)!

Abaixo, algumas fotinhos.











sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Outubro imperdível




Materiais gratuitos 
Quem tem ouvido falar sobre A casa de Penélope poderá conhecer melhor e gratuitamente o trabalho que temos desenvolvido no clube. Basta cadastrar o email (período de inscrições encerrado) para receber durante quatro dias, de 24 a 27 de outubro, um conteúdo exclusivo a respeito de um dos livros que lemos até o momento n'A casa: poderá ser um guia de leitura, uma newsletter, um hangout... Assim, se houver ainda alguma dúvida sobre se vale ou não a pena participar, certamente será sanada. ;)

Cursos com descontos
Como temos recebido muitos pedidos de ajuda, por emails e por mensagens, a respeito do homeschool, resolvemos antecipar nossa promoção de final de ano para o dia 12 deste mês, e oferecer os cursos "Homeschooling 1.0" e "De volta ao lar" com 50% de desconto. Será uma promoção relâmpago que durará apenas um dia, então fiquem atentos!

Novas assinaturas com bônus
Aqueles que quiserem garantir a participação desde o início de 2018 no ainda inédito Clubinho Literário, ao realizar sua inscrição receberão nosso curso "Ensine seus filhos a gostar de ler" gratuitamente. Já aquelas que se inscreverem n'A casa de Penélope receberão, sem custo algum, todo o material digital referente ao livro Madame Bovary, que foi a quarta leitura do Ano da esposa.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Nota sobre metodologias em HS

Todos os dias recebo e-mails e mensagens de pessoas que recém descobriram o homeschool, apaixonam-se pela proposta e desejam colocar as mãos na massa assim que terminarem de ler minha resposta. São pessoas que já perceberam que o cerco se fecha cada vez mais rapidamente contra as escolas - pois aquelas que não assumem a agenda revolucionária explicitamente, acabam se tornando alvos de seus agentes -, pessoas que são movidas das melhores intenções e, no entanto, precipitam-se. 

Infelizmente é possível agir pelos motivos certos mas empregando os meios errados. Para citar apenas um exemplo, menciono o que o ocorreu a uma mãe recentemente: tirou sua filhinha da escola sem maiores explicações e, em poucos dias, foi denunciada ao Conselho Tutelar. Tomada de medo e confusão, pedia ajuda num dos muitos grupos sobre o assunto. Se ela tivesse, antes de retirar a criança da escola, pesquisado a fundo, por uma semana que fosse, a respeito das possíveis consequências de sua atitude, teria abreviado em muito seus tormentos.

Mas o assunto aqui é outro, então volto a ele. Os pais e mães recém chegados ao homeschool acreditam muitas vezes que já há uma ampla rede de apoio à prática em nosso país, onde encontrarão associações, sites, e, sobretudo, metodologias e materiais didáticos específicos prontos a serem usados. A maioria se surpreende quando descobre que a nossa realidade é ainda bastante rudimentar: uma única associação, uma infinidade de blogs de famílias, metodologias híbridas e materiais didáticos improvisados - exceto àqueles que têm condições de importar seus livros do exterior. Todavia, meu propósito não é desestimular aqueles que acabam de se aproximar, mas, além de oferecer-lhes um panorama realista da situação, suscitar-lhes uma reflexão necessária.

Antes de decidir-se por uma das muitas metodologias disponíveis à prática da educação domiciliar -- para citar algumas, meciono a escolarizada, a clássica, a temática e o unschooling, por exemplo -- é preciso que uma coisa fique muito clara: cada pai e cada mãe homeschooler deverá adotar uma postura ativa no processo de ensino dos filhos. Em outras palavras, você pode ter o melhor material didático, o mais completo, o de mais fácil aplicação, e, no entanto, por mais incrível que pareça, isso não garantirá o bom rendimento do seu filho, pois não é somente o conteúdo abordado, mas principalmente o modo como você o abordará que fará toda a diferença. E só um pai e uma mãe atentos e pacientes saberão utilizar as ferramentas disponibilizadas pelo método adotado de uma maneira verdadeiramente proveitosa.

Metodologias são ferramentas, são estratégias, caminhos encetados na busca pela obtenção de determinado fim. Ou seja, entregar à criança as ferramentas certas, mas sem ensiná-la a usar é quase tão contraproducente quanto ofertar-lhe as ferramentas erradas. Metodologias não substituem pessoas. E, no homeschool, os pais são essenciais, principalmente quando as crianças ainda são pequenas ou não sabem estudar por conta própria.


Assim, queridos pais, não se iludam achando que existe um atalho neste caminho de método de ensino e materiais didáticos para homeschool. Melhor dizendo, o único atalho que existe é aquele em que você se oferece como mediador atento e bem disposto, capaz de observar os talentos e fortalecê-los, bem como ajudar na superação das dificuldades, usando de toda a sabedoria disponível em si para fazer cada filho florescer, empreendendo todas as mudanças, adaptações, repetições e inovações necessárias para isso. A outra opção é deixá-lo seguir pelo caminho mais longo e mais solitário.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A importância das boas músicas

Tem se tornado cada vez mais difícil passar por aqui e compartilhar coisas que acho que são úteis ou importantes para as famílias homeschoolers. São muitos os projetos nos quais estamos envolvidos, e há ainda novas coisas surgindo, por isso, pela necessidade de priorizar, o blog, que foi o começo de tudo, acaba ficando para trás. Ainda assim, porém, quero compartilhar com vocês algumas coisas bonitas que temos usado e feito por aqui.

Eu e Gustavo, na vida adulta, nunca fomos apreciadores de músicas populares. Sempre que colocamos alguma música, ou é clássica, ou é sacra. Raras vezes Gustavo varia um pouco o repertório acrescentando alguma música regional gaúcha ao menu. Por isso, desde sempre, nossos filhos foram acostumados com boas músicas, ainda que não saibam os nomes dos compositores/autores e das músicas, pois fazemos tudo de maneira muito tranquila e informal.

Assim, vindo a complementar um pouco mais esse hábito, recebemos de uma amiga a indicação de um excelente livro que agora passo adiante para vocês. O llivro é A música erudita, de Ibrahim Abrahão Chaim. 


Obviamente a obra não é completíssima, pois, como em toda seleção, alguns autores ficam de fora, mas vejam vocês como os temas abordados realmente suprem muitas carências, pois fazem conhecidas coisas que, para quem é leigo, podem soar bastante difíceis de entender. Chloe têm adorado e já leu boa parte dele.

Além do livro, recomendo ainda um cd disponível no archive.org chamado A Child's Introduction to the Orchestra onde há uma música para apresentação de cada um dos instrumentos. É perfeito para quem não conhece ou não consegue distinguir os sons deles, mas, sobretudo, é divertido para as crianças menores.

Para quem ainda não entende a importância de ensinar esse tipo de coisa às crianças, ou melhor, para quem não entende a importância de expô-las a boas músicas e protegê-las dos lixos sonoros que nos cercam, deixo aqui um trechinho de uma aula do prof. Luiz Gonzaga de Carvalho Neto na qual ele explica melhor a questão.

Por último, deixo ainda uma sugestão que alia boa música a desenhos antigos: escreva Silly Simphony Compilation no youtube, escolha um álbum e divirtam-se. Ainda não assistimos todos aqui em casa, mas dos que vimos, gostamos. São fábulas clássicas musicadas, ou então histórias bobinhas com músicas incríveis. O único que não deixo as crianças assistirem é o The Skeleton Dance. Então, pais, antes de colocarem as crianças a assistir, assistam primeiro, por favor, e vejam o que é e o que não é adequado a elas, ok?